ABLA avalia provável mudança de regra sobre IPI dos veículos

IPI-Reduzido-IV

O governo vai prorrogar o desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, conforme informações do jornal Valor Econômico. Trata-se de uma nova mudança de regras, já que a alíquota para carros com motor 1.0, atualmente em 3%, deveria aumentar para 7% a partir de 1º de julho. O percentual estava em 2% até dezembro do ano passado.
Para carros entre 1.0 e 2.0 (com motor flex), o IPI subiu de 7% para 9% no início de 2014, e agora retornaria aos 11%. Automóveis com o mesmo motor, mas movidos apenas a gasolina, teriam a alíquota elevada dos atuais 10% para 13%. Até o fim do ano passado, estava em 8%. Os veículos utilitários pagam 3% – eram 2% até dezembro – e voltariam à alíquota original de 8%, caso não houvesse a decisão do governo.
Dessa forma, novamente o setor de locação de veículo terá de enfrentar dificuldades em função das mudanças de regras repentinas relacionadas ao IPI dos automóveis, que dificultam a desmobilização dos ativos das locadoras e, assim, consequentemente, parte dos recursos necessários para um aumento mais significativo da frota.
“O setor aluga automóveis. Essa é nossa atividade fim. Não somos revendedores, porém também não somos colecionadores”, diz Paulo Gaba Jr., Diretor de Relações Institucionais da ABLA. “Faz parte do negócio o momento de desmobilizar ativos e, nesse sentido, também é importante que as ‘regras do jogo’ não mudem repentinamente, dificultando o planejamento das empresas”.
As repentinas mudanças de regras do IPI certamente exigem do setor um planejamento ainda mais cuidadoso. “O setor tem demonstrado maturidade suficiente para administrar sua frota”, acrescenta Gaba. “Quero dizer que, desde que as regras sejam claras e mantidas, as empresas se planejam e conseguem atuar, seja dentro de um mercado com impostos mais altos ou mais baixos”.
Segundo ele, o que dificulta e, em certos casos, até mesmo inviabiliza o negócio, são mesmo as mudanças de regras repentinas. “A ABLA luta por uma política automotiva de longo prazo, que permita de fato o planejamento dos investimentos”, afirma Gaba.
Prorrogação dos descontos
Conforme divulgado pelo jornal Valor Econômico, não haverá mais a recomposição das alíquotas, nem mesmo parcial. Ainda não está definido por quanto tempo haverá extensão do benefício, mas a expectativa oficial é de que isso ajude a indústria automotiva a driblar o momento de queda nas vendas e demissões, não só nas montadoras mas também nas fábricas de autopeças.
A prorrogação do desconto do IPI e o novo acordo automotivo com a Argentina acabaram sendo as únicas medidas possíveis para incentivar o setor. O governo também estudava ações de estímulo ao crédito para dar fôlego às vendas financiadas e chegou a pensar em um mecanismo de afastamento temporário dos trabalhadores, mas nada foi adiante. Decidiu-se, então, pela manutenção do imposto reduzido.
Como já era esperado, a venda de carros no país caiu ainda mais com o início da Copa do Mundo. Números preliminares mostram queda de 19,6% nos emplacamentos em junho, comparado ao mesmo período do ano passado. Em relação a maio, o recuo é de 5,4% até agora.
Segundo uma fonte com acesso aos licenciamentos diários, 214,6 mil veículos – entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus – haviam sido emplacados até a quarta-feira passada. Com isso, o recuo das vendas no acumulado do ano, que era de 5,5% até maio, aprofundou-se e alcançou 7,6% quando se inclui os dados parciais de junho.
fontes: Portal ABLA e Valor Econômico

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