A tecnologia como catalisadora de melhorias na mobilidade urbana

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Certo dia, no bate-papo ao lado da máquina de café, logo após ficar 50 minutos no trânsito de São Paulo para percorrer seis quilômetros de casa até o trabalho, um colega mostrava com orgulho que havia economizado 20 minutos no trajeto naquela manhã utilizando um novo aplicativo, o Waze.
Começava a se espalhar a notícia de um dos primeiros aplicativos de sucesso que juntavam GPS e compartilhamento de informações em tempo real para ajudar os motoristas na escolha do caminho de menor tempo até seu destino.
O sucesso do Waze mostra como tecnologias móveis conectadas em tempo real pela internet, e capazes de compartilhar de forma estruturada, rápida e inteligente as informações providas pelos próprios usuários, pode ajudar os habitantes de uma cidade a enfrentar as dificuldades quase intransponíveis da mobilidade urbana.
As políticas atuais de mobilidade urbana já não têm como base grandes obras físicas e públicas como novas avenidas, túneis, viadutos e sistemas de transporte. As cidades tomaram seus espaços e a cada dia é mais caro e inviável executar mudanças estruturais nos centros urbanos. É neste ponto que a tecnologia ganha força com ideias que ajudam os habitantes das áreas urbanas a utilizar melhor os espaços existentes sem passar pelas inconveniências de uma obra.
As tecnologias da atualidade, que em conjunto permitiram a criação de uma conjuntura de inovação e agilidade, podem ser resumidas em três pontos essenciais:
• Dispositivos: com mais de 168 milhões de unidades em uso no país, smartphones estão nas mãos de quase todos os habitantes nos principais centros urbanos;
• Desenvolvimento multiplataforma: permite a criação rápida de aplicativos que possam ser utilizados em Google Android, Apple iOS ou Windows Phone;
• Integração por APIs: possibilitam que os aplicativos conectem dados de clientes e parceiros, de forma segura e controlada.
A tríade formada por dispositivos, desenvolvimento e integração por APIs entre dados de grandes empresas como Google, Facebook, Amazon e Twitter, além de sistemas proprietários, criaram uma infinidade de alternativas para a mobilidade urbana.
Um exemplo é o compartilhamento de carros, um conceito explorado pelo Uber, mas também com outras iniciativas como o ZipCar, serviço de aluguel de carros que permite que os usuários paguem por planos de horas de utilização do veículo. Quando um usuário quer utilizar o serviço, basta encontrar um veículo identificado com o logotipo da empresa, abrir a porta com o cartão ZipCar, utilizar o veículo e depois simplesmente deixá-lo em um dos pontos de estacionamento para os próximos usuários.
Outro exemplo é o Avego, criado em Santa Barbara, nos Estados Unidos, para que as pessoas compartilhem carona no trajeto do trabalho. O usuário que possui um veículo cadastra sua rota de casa ao trabalho, e qualquer pessoa que deseja utilizar parte do mesmo trajeto pode solicitar a carona. Tanto o motorista quanto o passageiro são informados do local de embarque e desembarque no trajeto.
Além do compartilhamento de carros, também há um esforço das montadoras de inserirem seus produtos cada vez mais no contexto da mobilidade urbana. A BMW possui o projeto Connected-Drive, que permite aos clientes comandarem funções do veículo por meio do smartphone. Além do conforto, também existe o benefício em segurança, já que em caso de acidente, o carro possui sistemas inteligentes que reportam a ocorrência e iniciam todo um processo junto ao suporte para solicitação de socorro.
Também se enquadram em mobilidade urbana casos de empresas como SemParar e ConectCar, que tornam o veículo uma forma de pagamento, permitindo agilidade e segurança no acesso a praças de pedágio, estacionamentos, drive-thru de restaurantes e postos de combustíveis.
Embora os carros continuem sendo objetos de desejo, e não devem deixar de ocupar esse posto tão cedo, existem vários projetos que envolvem transporte público e que permitem que o usuário conheça com antecedência o horário de embarque e desembarque. Também destaco a crescente utilização da bicicleta, com aplicativos direcionados a utilização das ciclovias e estabelecimentos adaptados a este cliente e também a integração com outros modais públicos.
Outro aspecto importante, e que tem recebido cada vez mais atenção, é a inclusão de pessoas com deficiências nos grandes centros urbanos, por meio de aplicativos que geram informações de localização e serviços próximos para deficientes visuais, por exemplo. Mobilidade urbana também é democratizar o acesso aos espaços públicos.
Em um mundo cada vez mais digitalizado, a mobilidade urbana se beneficiará cada vez mais da tecnologia e de suas inovações. A integração de tanta informação em tempo real, embora pareça desafiador para os provedores de serviço, poderá gerenciar e organizar melhor nossos meios de transporte e nossa agenda de atividades, permitindo que todos nos grandes centros usufruam melhor da infraestrutura de sua cidade.

Marcelo Ramos – Vice-presidente sênior e gerente-geral da Axway para a América Latina
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